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"Não existem milagres nesse mundo. Só existem fatalidades, coincidências e o que você faz."

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Esse post faz parte da postagem coletiva em defesa do Estado Laico.Enfim, vamos ao texto.

Igualdade e tolerância, são uns dos principais pilares de um sociedade justa, todos devem ser vistos por igual independente de classe social,sexo, religião - ou fala dela - cor, orientação sexual ou qualquer possível diferença.
Infelizmente, sabemos que o Brasil está muito, mais muito distante disso. Os exemplos são intermináveis; impunidade com ricos, salários menores devido a sexo, preconceitos com minorias, ofensas e etc. São problemas que todos já conhecem e muito se é discutido a forma para sucumbi-los, numerosas propostas surgem; criação de leis, investimento na educação, punição, mas a mudança de fato nunca ocorre. As causas são várias, dentre elas as raízes cultural do país, má vontade de governantes, aceitação da população e a mistura de religião e estado.
Teoricamente o Brasil é um país laico, contudo isso não acontece,a religião aqui é intrinsecamente ligada ao estado. E em consequência disso surge vários problemas que afastam ainda mais a tolerância e igualdade, enraizando ainda mais o Brasil como um país primitivo. Se alguém pensa que homossexuais são pecadores, que aborto é inadmissível e indiscutível, que pessoas sem "Deus no coração" são seres de má índole, que as pessoas de outra religião irão todas para o inferno é alguém com uma visão estreita que prejudica toda a sociedade, contudo por não possuir poderes seus males geralmente são limitados. Porém quando esse alguém adquire poderes políticos esse perigo começa a se descontrolar e quando há uma bancada com essa visão torna-se incontrolável.
O problema mor não é o vereador, prefeito, deputado, senador, presidente ou o que for possuir uma religião, o problema é quando decisões são tomadas por conta dessa religião, abdicando da razão e do bem geral, criando assuntos indiscutíveis e mantendo tabus.

Um exemplo disso é o modo como a homossexualidade sempre foi tratada no país, o Brasil possuir a maior Parada Gay do mundo, contudo os direitos destes só estão sendo realmente sendo discutidos hoje, mas não é porque esses se calaram ou não fizeram movimentos ou nada semelhante é porque a visão do pecaminoso homossexual dominou a visão política por muito tempo, sendo que essa noção não cabe na política.
Aborto é um tema de saúde pública, contudo é intocável devido a moralidade cristã que o reveste.Legalização da maconha é tratado pelos cristão defensores "dos bons costumes" como inaceitável e então o assunto se torna um tabu. A questão não é que esses e tantos outros temas deveriam ser legalizados ou não e sim que deveriam ser tratados como assuntos sociais e jamais religiosos.

Não obstante há a educação religiosa, o próprio nome remete a uma falta de laicismo, é inviável que todas as religiões sejam abordadas e também improvável que seja tratada com indiferença visto que o educador possui a sua preferência. Crianças filhas de pais ateus ou então de religiões minoritárias como as africanas, provavelmente sentirão um desconforto e mesmo que possuam o direito de sair da sala, isso causará um desconforto ainda maior, pois as outras crianças questionarão, acharão estranho e os próprios educadores, então acontece a doutrinação infantil e ainda sustentada pelo estado. É indiscutível a questão religiosa na cultura, contudo ela deve ser tratado - ao menos em locais públicos - como uma questão histórica/cultural e nada a mais.

Ao adentrar em um local público - escola, tribunal, prefeitura... - e encontrar uma cruz, isso não quer dizer meramente que as pessoas que ali trabalham são cristãs ou que o local é abençoado por aquele Deus cristão. Aquela cruz quer dizer que aquele local é cristão, mas aquele local atende a evangélicos, muçulmanos, ateus, agnósticos e tantos outros, aquele local não pode ser cristão, assim como não pode ser branco,preto, amarelo ou indígena, hétero, bissexual,homossexual, mulher ou homem ou qualquer outra coisa. Aquele local deve ser o local de todos, sem preferências ou diferenciação, mas aquela cruz me informa que aquele local não é neutro, ele tem uma crença, ele tem preferência.

Obviamente não quer dizer que aquele símbolo religioso vai ser responsável pelas ações referente à religião ou que a ausência dele vai transformar a visão dos ali presentes, um símbolo é meramente um símbolo, a questão é o significado atribuído a ele. A comunicação visual nesse caso é de extrema importância. Qualquer local público deve além de ser neutro passar essa imagem.

Só seremos realmente um país tolerante e igualitário se nos vermos como tal, não adianta ter uma boa educação se essa seja regrada a preconceito e nem boas leis se essas não sejam cumpridas ou se são aplicadas de formas diferentes. Um dos passos para a verdadeira mudança é um país laico, verdadeiramente laico, a religião não é intocável, nada deve ser tratado como tal. O mundo muda, as visões mudam e devemos estar sujeitos a essas mudanças, revendo conceitos e mudando-os se necessário.
Todos os assuntos referentes a política devem ser tratados com olhar clínico, racional e não passional e/ou religioso. As mudanças devem ocorrer para o bem geral e devem estar sujeitas a questionamentos, afastados de verdades absolutas e preconceitos Portanto, só seremos de fato um país justo quando superarmos as diferenças e colocarmos o bom senso e a razão acima da religião e separá-la definitivamente do estado.

Quanto tempo sem postar aqui, é definitivamente mais fácil abandonar algo do que mantê-lo. Tenho alguns textos aqui, mas não sei se por preguiça ou por não ser o que pensava no momento - sua publicação não seria sincera - não publiquei,espero não abandonar novamente o blog. O texto abaixo está indiretamente ligado a uma visão ateísta, não necessariamente compartilhada com outros ateus, mas a minha visão ateísta, então provavelmente um cristão não gostará ou talvez nem entenderá. Acho que ele ficou com ares meio auto-ajuda,não era a intenção e espero que dê para vislumbrar além disso.


Nossa pequenez diante da natureza, do tempo, do universo é indiscutível. Somos fruto do acaso, sem motivos ou sentido, não temos missões e não somos importantes, não seremos condenados nem parabenizados, não há temor ou agradecimentos.
Diante disso muitos de desesperam, negam-se a ver o que está diante dos olhos. Fere o ego admitir sua inutilidade. Só há o terreno e o agora e mesmo nesses aspectos somos insignificantes, poucos nos notam ou se importam.
Não há necessidade de sentido , só há o de viver o máximo que conseguir, desfrutar dos benefícios e lutar por melhorias. O acaso pode ser fascinante é só se permitir conhecê-lo, porém é um caminho sem volta, depois que se concebe um espírito livre é impossível abandoná-lo.
Com o adeus a missão, abandona-se culpa, as amarras, você não está aqui por ser especial, meramente está e isto lhe permite fazer as próprias escolhas.
Sabendo da sua insignificância surge a vontade de mudar tal realidade, mas não para uma vida futura, mas nessa, o aqui e o agora. Há a busca da sua verdade e se defende-la de tal maneira suas idéias ultrapassarão o tempo e farão de você imortal.
Invente a sua história, viva os prazeres. Apenas faça o que quiser, sem medo ou dogmas.
E que durante a pequenez encontre razões e caminhos para se fazer grande perante de algo supostamente superior ou aos outros, mas seja grande para si e será reconhecido por isso. Admita a pequenez e transforme-se.

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Idealista,vegetariana restrita, atéia, futura psicóloga - eu espero - e acima de tudo; um espírito livre.

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